Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre as regras da Igreja Católica provocou reação de bispos. Durante encontro com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, no Palácio do Planalto, Lula afirmou que a instituição enfrenta dificuldades por manter o celibato e não permitir mulheres como padres e bispos.
“Enquanto
a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam
ser padres, bispas, a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades. Essa
é uma vantagem que a Igreja Evangélica tem. As mulheres são tratadas em
igualdade de condições”, afirmou.
O
bispo de Piracicaba, dom Devair Araújo da Fonseca, criticou a declaração e
disse que políticos deveriam se concentrar nos problemas do país. “Nós estamos
vendo políticos que tentam dizer até o que a igreja precisa fazer. Tentam falar
até do celibato dos padres, quando deviam estar cuidando do país. Estão
cuidando muito mal”, afirmou.
Durante
uma celebração no sábado (19), dom Devair também pediu aos fiéis “consciência
na hora de apertar os botões na urna” e que não escolhessem “aqueles que querem
acabar com a nossa liberdade”.
Já
o bispo de Formosa, dom Adair José Guimarães, afirmou que a declaração não o
surpreende. “Geralmente os líderes, quando eles são apedeutas, querem se meter
em tudo”, disse.
Dom
Adair ainda declarou concordar com uma fala atribuída ao arcebispo do Rio de
Janeiro, dom Eugênio Sales, que teria classificado Lula como “caótico,
apostático e romântico”, em vez de um católico apostólico romano.
A
Frente Parlamentar Católica da Câmara dos Deputados também divulgou uma nota de
repúdio à declaração. O documento foi publicado na sexta-feira (18) e assinado
pelo presidente da frente, deputado Luiz Gastão (PSD-CE).








